segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Motorista invisível

Meu motorista é invisível, e sabe o que e mais engraçado? É que eu estou sentado e quieto no banco do passageiro; confiante pela primeira vez.
E o mais legal... Eu não estou com medo das curvas e nem dos buracos.
Às vezes me sinto um pouco tentado a levar as mãos no volante, o que é muito idiota, já que enquanto Ele está dirigindo eu converso com Ele, conto meus medos e anseios, sonhos e vontades, me sentindo tão segura.
Dono de uma paz que excede todo entendimento, ao ouvir as palavras d’Ele é como se tudo aquilo que eu o conto, Ele já tivesse todo o controle nas mãos.
O mais estagnante, eu não sinto medo e continuo a contar-lhe sobre o que me aflige, aborrece, alegra e me dá prazer, chegando a me esquecer de que eu não estou no controle.

Ao longo do caminho alguns buracos fundos na pista me assustam, mas Ele continua dirigindo tão serenamente e controlando com uma tranqüilidade contagiante, que me faz nem sentir aqueles buracos. Quando começo a ficar tensa e cansada por não agüentar mais andar, andar e não chegar a lugar nenhum, que por sinal eu não faço idéia de que lugar seja; Eu O começo a indagar perguntando-lhe se está perdido, e porque tanta demora, digo-lhe que podíamos ter ido a praia, como já havia sugerido. Ainda assim Ele me pede calma e diz que tem um lugar melhor.

Sinto-me desconcertada quando Ele pergunta se quero ouvir uma música e avisa que tem gomas, salgadinhos e aqueles chocolates que são os meus preferidos no porta-luvas. O auge vem quando Ele me diz que o meu banco é reclinável e fica totalmente deitado e que se eu quiser dormir eu posso. Anestesiada e perplexa com seu cuidado eu escolho dormir, logo sinto um cobertor sendo suavemente colocado sobre mim.

As horas passam, eu acordo, me sinto tão renovada. Sinto-me como se tivesse
dormido por dias. Ele falou com uma voz doce me perguntando se descansei, eu solto uma baixa gargalhada e digo-lhe que sim, por incrível que pareça. Paira-se um silêncio entre nós /.../ Ele então começa a falar que só estava esperando eu acordar, pois havíamos chegado ao lugar que Ele prometeu me levar. Eu rapidamente me levantei abri a porta do carro para então ver logo, que lugar seria aquele! Quando desci, Ele tinha preparado um grande piquenique naquela grama verdinha, o lenço forrado na grama era vermelho sangue e estava decorado com almofadas roxas e verdes limão, mas eu ainda não havia me atentado para O lugar. Quando eu finalmente olhei ao redor, me dei conta de que estávamos no alto, com receio de olhar para ver o resto, arrisquei e descobri, era uma única rocha no meio do mar, rodeados por água, com uma só árvore que nos fazia sombra, algo com que eu não me importei muito, já que o sol estava tão gostoso.
Com meus olhos já tomados por lágrimas eu sussurrei: “é muito mais do que eu esperava, mais do que eu já quis”, imediatamente Ele respondeu: “Eu sei o que é bom pra você, e quero te dar o melhor!”. Sem entender o momento (bom, na verdade eu estava chocada por perceber o quanto já tentei me agradar e nunca cheguei nem perto do que estava sendo aquilo) eu O perguntei: “o que vamos fazer enquanto estamos aqui?” Ele soltou outra risada e disse: “Eu escolho sentar-me ali naquele forro vermelho ao seu lado enquanto você cantando uma música pra mim se recoste em meu peito, se complete em mim, seja totalmente satisfeita por minha presença e se preencha por ter o meu amor, sem desejar mais nada, nem ninguém”.

Thayná M. Silva

4 comentários:

  1. Ei Thatá! Sou a 1ª em ti seguir, que chique!!!
    Pode deixar que vou acompanhar seu blog

    DEus abençõe mto, saudades mil de vc! ♥

    O meu segue lá tbm!

    www.biaskov.blogspot.com

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  2. Ei este texto é muito lindo, mas parece muito com o da DÊssa...pq?

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  3. Que maravilhindo!
    Perfeito Thayná, inspiração que vem do céu, que Deus derrame a cada dia mais sobre a sua vida!

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  4. Maaana, muuito Lindo o texto *-* quase choorei rs'. Saaaudade demais de voocê. Te amo ♥

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